Rota do Homem 2011

Data: 5 de Novembro de 2011

Texto: Pedro Ribeiro

Fotos: Pedro Ribeiro

Eu gosto mesmo de pedalar com o velho lobo. Quase sempre. O convite era tentador: havia promessa de trilhos novos e tribos desconhecidas iam estar presentes. Com tanta novidade custava-me ficar de fora. No entanto já tinha demonstrado a intenção de participar no Manobras, agendado também para esse dia. Mesmo assim optei por seguir para o ponto de encontro em Turiz. Às tantas, depois de 10 anos consecutivos, era uma ocasião tão boa como qualquer outra para me desligar de vez do M.

Afinal acabei por integrar uma numerosa comitiva proveniente do Vale do Ave, algo pouco habitual nos últimos tempos: Tico, Óscar e ET. Depois duma saída algo atribulada com preparativos de última hora e um despertador ignorado até conseguimos apresentar-nos à partida com apenas uns 5min de atraso e nem sequer fomos os últimos. No entanto quem faltava não tardou em aparecer e em breve o pelotão de 10 unidades circulava através do habitual "start loop" de saída, com passagem por Barbudo.

Se alguém tinha frio depressa essa sensação deve ter desaparecido após a primeira subida. Algumas centenas de metros com secções inclinadas e técnicas. Tive o azar de seguir na roda dum teimoso (ET) defensor do "para o fim logo se vê, as energias são para consumir enquanto as há" e no topo dei graças por não usar pulsómetro, senão tê-lo-ia ouvido "cantar" encosta acima.

Até à Portela de Vade, essa localidade que tanto aprecio, não recordo outras dificuldades ou incidentes. Mas havia quem as aguardasse, tal a agitação existente entre alguns companheiros, provocada pela expectativa de estatelanço dum dos participantes, supostamente pouco dotado tecnicamente.

A saída da Portela atacou de início as habituais rampas em asfalto antes de entrar no suave estradão a meia encosta que permitiu ao pelotão ir colocando a conversa em dia ao mesmo tempo que se ia deliciando com a visão do imponente vale à esquerda. Mas não tardaria a que o gradiente voltasse a acentuar-se na proporção inversa à tagarelice que acabou por se extinguir.

Como não podia deixar de ser, pausa para apreciar o Fojo do Lobo onde o Tico parece ter arranjado uma "amizade colorida" com um cachorro que por ali vadiava.

Com a aproximação a Bezeguimbra começou também o divertimento, com o granito a adornar os caminhos em grande quantidade. As máquinas fotográficas começaram a disparar com mais frequência e a cada virar de curva no caminho havia alguém "focuing" (private joke).

Após alguma luta com o granito molhado acabámos nas traseiras do Sto. António de Mixões. Havia quem já estivesse mentalizado para uma paragem nalgum café para reabastecimento mas o Luís propôs "um pequeno floreado". Uma série de eventos resultaram da aceitação dessa proposta: desviámo-nos de Mixões, confundimos a estrada e quando nos apercebemos estávamos onde não tínhamos planeado, em Portuzelo.

Enquanto os guias, se é que os havia, iam recolhendo indicações com as gentes locais, eu e o ET íamos tirando medidas à subida de asfalto que por ali passa e que já há uns tempos está na lista das "a fazer".

O caminho que nos foi indicado deveria levar-nos até Vergaço onde retomaríamos a nossa rota. Deduzi que o trilho seria um que há uns meses tinha planeado percorrer durante uma incursão precocemente interrompida pelo mau tempo. Atendendo à sua beleza fiquei com pena de não ser eu a guiar por ali os meus amigos. Mais à frente, ao invés, fiquei aliviado por estar isento dessa responsabilidade quando começámos a escalar com as montadas às costas.

De volta à rota original abordámos então aquele que costuma ser um dos pontos altos de qualquer incursão por aquelas bandas: a descida das calçadas graníticas de Cutelo. Pouco receptivas a erros de pilotagem, principalmente nesta altura do ano em que granito húmido se torna ainda mais traiçoeiro, acabaram por fazer uma vítima. O nosso companheiro que tinha vindo de Viana e que tinha cedido a sua 29'' para que outro a experimentasse acabou por não se entender com a troca e acabou provando de forma aparatosa a macieza da rocha. Felizmente que sem consequências para além dumas, prováveis, nódoas negras.

Mais alguns trilhos novos até Brufe, resultantes das recentes incursões exploratórias do Major, e passado um pouco estávamos no Campo do Gerês onde parámos finalmente para nos aconchegar com uma sopa de legumes.

Dois companheiros com compromissos abandonaram-nos mais cedo. Os restantes rumámos à Geira para encetar o regresso.

Uma mistura de zonas técnicas com uma envolvente natural soberba tornam aquele percurso delicioso, por mais vezes que lá passemos. Um furo e um tombo, ambos do ET foram os únicos incidentes dignos de registo antes da última dificuldade do dia, a subida a S. Pedro de Fins.

No regresso a Turiz contabilizámos uns 90km adornados com uns respeitáveis 2200m de acumulado. Mas, acima de tudo, trazíamos para recordação mais um dia muito bem passado nesta Rota do Homem que tem sempre algo de novo para mostrar.

Mais fotos em aqui.

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